Quando falo sobre aterosclerose no consultório, percebo que muita gente associa o problema apenas ao coração. Mas a verdade é que essa condição envolve toda a rede de vasos do corpo e costuma começar de forma silenciosa. Por isso, prevenir e acompanhar de perto é essencial.

Meu papel é justamente ajudar a identificar os primeiros sinais e orientar estratégias que evitem que esse acúmulo nas artérias avance e se torne um risco maior.

O que é a aterosclerose e como ela se desenvolve?

A aterosclerose é uma doença crônica e progressiva que afeta a parede dos vasos sanguíneos. O que começa com uma pequena alteração nos vasos pode, ao longo do tempo, comprometer o fluxo de sangue para órgãos vitais.

É o acúmulo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias nas paredes das artérias

Esse acúmulo, conhecido como placa aterosclerótica, forma uma espécie de crosta por dentro dos vasos. Ela se forma lentamente, à medida que o colesterol ruim se deposita nas paredes internas das artérias e atrai outras substâncias inflamatórias. O resultado é o estreitamento do canal por onde o sangue circula.

Esse processo reduz o fluxo sanguíneo e pode levar a infarto ou AVC

Quando o fluxo de sangue é prejudicado, o órgão irrigado por aquela artéria também sofre. No coração, isso pode significar um infarto. No cérebro, um AVC. E em outras partes do corpo, pode causar dores, perda de função e até amputações, no caso de artérias periféricas.

Fatores de risco para a aterosclerose

A boa notícia é que a aterosclerose não aparece do nada. Ela costuma estar relacionada a hábitos e condições que podemos controlar. O primeiro passo é entender quais são esses fatores.

Colesterol alto, hipertensão, diabetes e tabagismo

Essas quatro condições aumentam o risco porque favorecem a inflamação das artérias e o acúmulo de gordura nos vasos. Por isso, mesmo quando não causam sintomas, precisam ser acompanhadas com atenção. Cada uma delas contribui para tornar o ambiente mais propício ao surgimento das placas.

Sedentarismo, dieta rica em gordura saturada e estresse

O estilo de vida tem um papel direto no desenvolvimento da aterosclerose. Ficar muito tempo parado, consumir alimentos processados com frequência ou conviver com altos níveis de estresse são fatores que agravam o quadro. Eles não atuam sozinhos, mas somados aos outros riscos, aceleram o processo.

Como identificar e diagnosticar precocemente?

A aterosclerose, na maioria dos casos, não dá sinais claros até causar um evento mais grave. Por isso, o diagnóstico precoce exige proatividade, tanto por parte do paciente quanto do médico.

Exames de sangue (perfil lipídico), doppler vascular e angiotomografia

Os exames de sangue ajudam a identificar alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos. O doppler vascular é um ultrassom que avalia o fluxo sanguíneo nas artérias e pode mostrar se há obstruções. Já a angiotomografia permite uma visão detalhada das artérias coronárias, ajudando a identificar placas em formação.

Análise de histórico familiar e avaliação clínica

Além dos exames, levo sempre em consideração a história familiar de doenças cardíacas, infarto precoce ou AVC. Pessoas com esse histórico precisam de acompanhamento mais próximo. Também observo fatores como pressão arterial, peso, circunferência abdominal e sinais clínicos indiretos de risco vascular.

Como prevenir a progressão da doença?

Mesmo quando já há sinais iniciais de aterosclerose, é possível controlar a progressão da doença e evitar que ela leve a eventos mais graves. O acompanhamento médico e os ajustes no estilo de vida fazem toda a diferença.

Controle dos níveis de colesterol e pressão arterial

O objetivo principal é manter os níveis de colesterol, especialmente o LDL, dentro de valores seguros. Também monitoro com frequência a pressão arterial, já que a hipertensão pode acelerar o processo de lesão nas artérias. Em alguns casos, a medicação é necessária, mas as mudanças de hábito vêm sempre antes.

Alimentação anti-inflamatória e prática de exercícios

Incluir alimentos ricos em fibras, antioxidantes e gorduras boas ajuda a reduzir o processo inflamatório que favorece o acúmulo de placas. A prática regular de atividade física, além de controlar o peso, melhora o perfil lipídico e a função vascular. Cada paciente recebe orientações personalizadas, de acordo com sua rotina e condição de saúde.

Suspensão do cigarro e acompanhamento médico regular

Parar de fumar é uma das decisões mais importantes para quem quer proteger as artérias. O cigarro agride diretamente os vasos, acelerando o processo de obstrução. No consultório, ofereço suporte para quem precisa de ajuda nesse processo. O acompanhamento contínuo também é essencial para ajustar estratégias, rever exames e garantir que tudo esteja sob controle.

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Perguntas frequentes sobre aterosclerose

Essas são dúvidas comuns entre pacientes que chegam ao consultório com exames alterados ou com histórico familiar de problemas cardíacos.

Na maioria dos casos, não. A aterosclerose é uma doença silenciosa nas fases iniciais. Os sintomas costumam aparecer apenas quando a obstrução já é significativa ou quando ocorre um evento agudo, como infarto ou AVC.

Depende do estágio da doença. Em fases iniciais, é possível reduzir o tamanho das placas e melhorar o fluxo sanguíneo com mudanças no estilo de vida e medicações. Em casos mais avançados, pode ser necessário tratamento cirúrgico, como angioplastia ou colocação de stents.

Não obrigatoriamente. Mas o colesterol alto é um dos principais fatores de risco. Quanto mais tempo ele permanecer elevado, maior a chance de formação de placas. Por isso, é importante agir o quanto antes para manter os níveis sob controle.

Os principais são: perfil lipídico, doppler vascular, angiotomografia de coronárias e, em alguns casos, cintilografia miocárdica ou teste ergométrico. A escolha depende da idade, dos sintomas e dos fatores de risco do paciente.