Prevenir o Alzheimer e outras demências: é possível?

Postado em: 15/07/2025

O diagnóstico de Alzheimer costuma assustar. Seja porque vimos alguém da família passar por isso, seja pela ideia de perder a autonomia, a memória, as referências de quem somos. 

É uma doença que mexe não só com o cérebro, mas com a identidade da pessoa. E uma dúvida que sempre aparece no consultório é: dá pra prevenir?

Como médico de família, gosto de responder com sinceridade e com esperança. Embora o Alzheimer não tenha cura e envolva fatores genéticos, hoje já sabemos que há muito que pode ser feito para adiar seu início ou reduzir a velocidade de progressão. E essa prevenção começa muito antes dos primeiros sinais.

O que é o Alzheimer e como ele se desenvolve?

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta a memória, a linguagem, o raciocínio, o comportamento e, com o tempo, a capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia. É a forma mais comum de demência, mas não é a única.

Outras demências também preocupam

Além do Alzheimer, existem outras formas de demência, como a demência vascular, a demência frontotemporal e a demência com corpos de Lewy. Cada uma tem suas características, mas todas envolvem deterioração progressiva das funções cerebrais.

Como a doença começa e por que é difícil identificar no início?

O Alzheimer não aparece de um dia pro outro. Ele se instala lentamente, e muitas vezes os primeiros sinais são confundidos com “coisas da idade”. 

Esquecer compromissos, repetir histórias, se perder em caminhos conhecidos… tudo isso pode parecer inofensivo no começo, mas merece atenção.

Fase pré-clínica: quando ainda é possível intervir

Antes dos sintomas mais evidentes, há uma fase silenciosa, onde já ocorrem alterações no cérebro, mas a pessoa ainda vive normalmente. Esse é o momento ideal para agir. Porque mesmo sem cura, é possível criar uma “reserva cognitiva” que protege o cérebro.

Alzheimer e estilo de vida: existe relação?

Sim, e cada vez mais forte. Estudos mostram que até 40% dos casos de demência no mundo poderiam ser evitados com mudanças de comportamento. Isso inclui alimentação, sono, atividade física, controle de doenças crônicas e, claro, saúde emocional.

Cérebro saudável precisa de corpo saudável

A saúde do cérebro depende da saúde do corpo como um todo. Pressão alta, diabetes, colesterol alto, obesidade, sedentarismo e tabagismo aumentam o risco de Alzheimer. Por isso, prevenir a doença passa por cuidar desses fatores desde cedo.

O que podemos fazer na prática para prevenir?

Aqui no consultório, quando falamos de prevenção do Alzheimer, costumo dividir a estratégia em pilares bem objetivos, que podem ser adotados em qualquer fase da vida, mas têm efeito maior quando começamos antes dos 60.

Movimento

A atividade física regular melhora a oxigenação do cérebro, estimula conexões neurais e reduz a inflamação. Caminhar, dançar, nadar, pedalar: tudo vale. O importante é manter o corpo em movimento.

Alimentação

Dieta rica em vegetais, frutas, oleaginosas, peixes, azeite de oliva e grãos integrais. O famoso estilo mediterrâneo é um aliado da saúde cerebral. Reduzir açúcar, gorduras ruins e ultraprocessados também faz parte.

Sono de qualidade

Dormir mal ou pouco impacta diretamente a memória, o humor e a limpeza de toxinas do cérebro. Por isso, melhorar a higiene do sono é essencial e pode ser uma das intervenções mais simples de implementar.

Estimulação cognitiva

Aprender coisas novas, fazer palavras-cruzadas, ler, tocar um instrumento, conversar com pessoas de diferentes gerações. O cérebro gosta de ser desafiado. Quanto mais você o estimula, mais conexões ele faz e mais protegido fica.

H3.5 Propósito e vida social

Ter motivos para acordar, metas, relações saudáveis, laços afetivos. Solidão e isolamento aumentam o risco de declínio cognitivo. Por isso, manter vínculos é também uma forma de cuidar do cérebro.

Exames e acompanhamento: o que podemos monitorar?

Não existe um exame que detecte o Alzheimer precocemente de forma isolada, mas alguns testes ajudam a entender se há fatores de risco. 

Aqui na clínica, uso exames laboratoriais, testes cognitivos simples e, em alguns casos, exames de imagem e avaliação de VO2 máximo.

Avaliar o cérebro antes que ele falhe

Com pequenos testes e uma boa conversa clínica, é possível identificar lapsos que vão além do esquecimento comum. Quanto antes identificamos algo fora do esperado, mais chances temos de intervir de forma efetiva.

Seu cérebro merece atenção agora

Falar de Alzheimer não precisa ser sinônimo de medo. Pode e deve ser um convite à prevenção. Cuidar do cérebro é cuidar da nossa história, da nossa autonomia, das nossas relações. E isso começa com decisões que fazemos hoje.

Mesmo que você não tenha histórico na família, mesmo que se sinta bem agora, sua saúde cerebral merece cuidado. Porque ninguém envelhece da noite pro dia, mas o cérebro registra tudo que você vive, pensa, sente e escolhe.

Vamos traçar juntos um plano para cuidar da sua saúde cerebral?

Atendo de forma particular em Indaiatuba e também por telemedicina. Meu foco é na prevenção e na construção de uma longevidade com autonomia e clareza mental. Se quiser entender como anda sua saúde cognitiva, é só me chamar.


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